Tá difícil...
Conciliar as minhas actividades profissionais, com as actividades da AEMO.
Embora grande parte dos eventos sejam no final do dia... tenho saído muito tarde do serviço!
segunda-feira, 6 de maio de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
Em agenda
Esta semana, para variar, tenho várias actividades no âmbito literário:
- Esta manhã, dia 23 de Abril, participei num programa televisivo (vide post anterior) e esta tarde irei ao lançamento da mais recente edição da revista PROLER, publicada pelo Fundo Bibliográfico de Moçambique, alusivo á mulher, cuja celebração do Dia da Mulher Moçambicana comemora-se no dia 07 de Abril de cada ano. Tenho lá publicado um artigo de minha autoria, que reflicto sobre o desabrochar de uma literatura em Moçambique.
- Sexta-feira, dia 26 participarei dum debate sobre o papel da Livraria Minerva Central na promoção da leitura e do livro. Terei o prazer de estar ao lado de escritores como Paulina Chiziane, Suleimane Cassamo e Machado da Graça... K tal?
Dia Mundial do Livro
Hoje celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor.
Tive o prazer de ser convidada a falar sobre "o livro" no programa da STV "Manhãs Alegres", apresentado pelo Celso Domingos e pela Yara da Silva.
Na foto acima estou com o Celso Muianga, representante da editora Ndjira, que também falou sobre o assunto.
O convite surgiu por parte da Livraria Minerva Central, que na 5ª feira passada, dia 18 de Abril, abriu a sua 78ª edição da "Feira do Livro".
Tive o prazer de ser convidada a falar sobre "o livro" no programa da STV "Manhãs Alegres", apresentado pelo Celso Domingos e pela Yara da Silva.
Na foto acima estou com o Celso Muianga, representante da editora Ndjira, que também falou sobre o assunto.
O convite surgiu por parte da Livraria Minerva Central, que na 5ª feira passada, dia 18 de Abril, abriu a sua 78ª edição da "Feira do Livro".
Vogal
Sexta-feira, dia 19 de Abril, 16:00 horas.
Para mim mais um dia importante a registar.
Tomou posse o novo elenco da AEMO, da qual tenho orgulho de pertencer, como Vogal!
É um começo!
Vou trabalhar junto do novo Secretário-Geral, Ungulani ba ka Kossa, e com o seu adjunto Clementino.
Espero que façamos uma boa equipa e que a AEMO ganhe com isso!
Para mim mais um dia importante a registar.
Tomou posse o novo elenco da AEMO, da qual tenho orgulho de pertencer, como Vogal!
É um começo!
Vou trabalhar junto do novo Secretário-Geral, Ungulani ba ka Kossa, e com o seu adjunto Clementino.
Espero que façamos uma boa equipa e que a AEMO ganhe com isso!
terça-feira, 9 de abril de 2013
O que é a AEMO?
Já agora. Vou clarificar o que é a AEMO!
A Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), é uma organização que tem como objectivo dar a conhecer obras e autores de literatura moçambicana.
A associação, fundada em 31 de Agosto de 1982, desenvolve a sua actividade, entre outras formas, através da edição de obras de autores moçambicanos, da atribuição de prémios literários e da organização de conferências, jornadas e debates visando a divulgação da literatura moçambicana.
O escritor José Craveirinha foi o seu primeiro presidente.
Actualmente o Secretário Geral é o escritor Ungulani Ba Ka Khossa.
A Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), é uma organização que tem como objectivo dar a conhecer obras e autores de literatura moçambicana.
A associação, fundada em 31 de Agosto de 1982, desenvolve a sua actividade, entre outras formas, através da edição de obras de autores moçambicanos, da atribuição de prémios literários e da organização de conferências, jornadas e debates visando a divulgação da literatura moçambicana.
O escritor José Craveirinha foi o seu primeiro presidente.
Actualmente o Secretário Geral é o escritor Ungulani Ba Ka Khossa.
Vogal
Nem tudo são más notícias.
No dia 16 de março foi eleito um novo elenco para dirigir a Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO) do queal faço parte como Vogal.
Óptimo!!!!
Mas cadê o tempo para me dedicar a essa nova actividade?
Já falhei o próprio dia da eleição (estava de viagem de serviço)!
Já falhei uma reunião da nova direcção.
Já falhei um lançamento de livro na AEMO!
Comecei mal!
Mas vou tentar recuperar...
Tenho mesmo de me dar tempo...
Nem que seja aos Sábados, pois no meio de semana está mesmo difícil.
No dia 16 de março foi eleito um novo elenco para dirigir a Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO) do queal faço parte como Vogal.
Óptimo!!!!
Mas cadê o tempo para me dedicar a essa nova actividade?
Já falhei o próprio dia da eleição (estava de viagem de serviço)!
Já falhei uma reunião da nova direcção.
Já falhei um lançamento de livro na AEMO!
Comecei mal!
Mas vou tentar recuperar...
Tenho mesmo de me dar tempo...
Nem que seja aos Sábados, pois no meio de semana está mesmo difícil.
Mudanças
Desde a última vez que escrevi que algumas coisas mudaram:
- fui indicada para exercer um (não tão) novo cargo - pois já tinha exercido no passado
- por consequência da nova indicação, agora vou ter que "viajar" diariamente da Matola para Maputo
- reiniciei minhas aulas no ginásio
- cortei o cabelo!!!!
Não foram mudanças radicais, mas acabam modificando completamente minha rotina... por exemplo fico mais tempo no serviço e na estrada, o que reduz o meu tempo pra me dedicar a outras actividades, como por exemplo escrever....
Menos tempo para escrever no blog.
Menos tempo para escrever meus poemas.
Menos tempo para escrever sms carinhosos pro meu maridão.... (ele até já se queixou)!
Menos tempo para ensinar a minha filhota de 5 anos a escrever....
- fui indicada para exercer um (não tão) novo cargo - pois já tinha exercido no passado
- por consequência da nova indicação, agora vou ter que "viajar" diariamente da Matola para Maputo
- reiniciei minhas aulas no ginásio
- cortei o cabelo!!!!
Não foram mudanças radicais, mas acabam modificando completamente minha rotina... por exemplo fico mais tempo no serviço e na estrada, o que reduz o meu tempo pra me dedicar a outras actividades, como por exemplo escrever....
Menos tempo para escrever no blog.
Menos tempo para escrever meus poemas.
Menos tempo para escrever sms carinhosos pro meu maridão.... (ele até já se queixou)!
Menos tempo para ensinar a minha filhota de 5 anos a escrever....
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Umas férias merecidas
Acho que estou a tornar-me especialista em não fazer publicações por uns tempos e depois reaparacer do nada! Estive de férias em Julho, MERECIDAS E BEM GOZADAS, diga-se de passagem...
Nunca tinha andado tanto de comboio na minha vida: Amsterdam, Klazieneveen, Rotterdam e Ede (na Holanda), Luxemburgo (via Bélgica), Trier (na Alemanha) e de volta à Amsterdam. Mas foram momentos fantásticos! Consegui rever amigas e amigos de infância. Vou ter muito o que postar.
Nunca tinha andado tanto de comboio na minha vida: Amsterdam, Klazieneveen, Rotterdam e Ede (na Holanda), Luxemburgo (via Bélgica), Trier (na Alemanha) e de volta à Amsterdam. Mas foram momentos fantásticos! Consegui rever amigas e amigos de infância. Vou ter muito o que postar.
terça-feira, 3 de abril de 2012
PROLER
Na edição do mês de Março da revista PROLER, nº 23, existe um artigo escrito por Marcelo Panguana sobre o meu livro "Emoções e Abstracções".
São 4 páginas dedicadas á minha obra, que me deixou muito lisonjeada pelo ênfase dado.
Obrigada Marcelo!
São 4 páginas dedicadas á minha obra, que me deixou muito lisonjeada pelo ênfase dado.
Obrigada Marcelo!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Minha inspiração
Ano Novo: Perspectivas
A cada novo ano proponho-me novos desafios.
2012 não foge da regra!
Em suma, tenho em perspectiva: novos poemas a serem escritos, alguns quilinhos a perder e, quem sabe, voltar a estudar.
Se tudo correr bem, vou me inscrever para fazer mestrado em Business Leadership, pela UNISA.
Aí vou ter que programar bem como vou redistribuir as minhas horas diárias: serviço, gestão doméstica, estudos e uma filha de 4 aninhos que quer toda a atenção do mundo a partir do momento que chego a casa! Para não falar da atenção que o meu marido também quer e exige!
Mas tou pronta para tudo isso... por isso entrei em grande estilo em 2012!!!
Atrás de mim a linda Baía de Maputo, que infelizmente não se vê por ser noite (é óbvio)!
2012 não foge da regra!
Em suma, tenho em perspectiva: novos poemas a serem escritos, alguns quilinhos a perder e, quem sabe, voltar a estudar.
Se tudo correr bem, vou me inscrever para fazer mestrado em Business Leadership, pela UNISA.
Aí vou ter que programar bem como vou redistribuir as minhas horas diárias: serviço, gestão doméstica, estudos e uma filha de 4 aninhos que quer toda a atenção do mundo a partir do momento que chego a casa! Para não falar da atenção que o meu marido também quer e exige!
Mas tou pronta para tudo isso... por isso entrei em grande estilo em 2012!!!
Atrás de mim a linda Baía de Maputo, que infelizmente não se vê por ser noite (é óbvio)!
Festa do Serviço
Desde Dezembro 2011 que não postava nada.
No dia 22 de Dezembro participei na festa do final do ano da minha Direcção (Direcção Geral dos Serviços Comuns da Autoridade Tributária de Moçambique).
A festa foi boa: companhia agradável, muita alegria, muita comida e bebida, e boa música tocada pelo Tikan e Dua.
Eu também dei o ar da minha graça, ao ler um poema a pedido de um dos meus Directores. Eis o momento...
No dia 22 de Dezembro participei na festa do final do ano da minha Direcção (Direcção Geral dos Serviços Comuns da Autoridade Tributária de Moçambique).
A festa foi boa: companhia agradável, muita alegria, muita comida e bebida, e boa música tocada pelo Tikan e Dua.
Eu também dei o ar da minha graça, ao ler um poema a pedido de um dos meus Directores. Eis o momento...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Perfil de "Emoções e Abstracçoes"
A Capa
Ilustração da Parte I: Emoções
Ilustração da Parte II: Abstracções
A capa foi criada por Lurdes Faife e as ilustrações em tinta da china e aguarela são de Jaime Gouveia.
Sara Jona: apresentação do livro "Emoções e Abstracções"
VER e SENTIR
A REALIDADE: a alma feminina em Emoções e
Abstracções
Por Sara Jona
É
como se essa poesia fosse habitada, necessariamente, por uma alma feminina,
porém, sem estereótipos feministas” Ngomane: 2011.
O presente texto
surge no âmbito do lançamento da obra Emoções
e Abstracções – doravante EA, da
autoria de Rinkel, pseudónimo de Márcia do Santos, escritora Moçambicana com
outros dois livros publicados, nomeadamente: Almas Gémeas, em 1998 e
Revelações, de 2006. A autora é membro da Associação de Escritores Moçambicanos
e docente na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.
A nova proposta
de Rinkel coloca o leitor perante o desafio de reflectir sobre a Literatura de
Autoria Feminina. Em Moçambique, naquilo que à mulher diz respeito e fora do
âmbito literário, o que tem sido dado a discutir são questões ligadas ao feminismo,
onde se destaca a luta de classes e a disputa por um papel social a ser
desempenhado pela mulher ou a defesa daquela como forma de libertá-la do jugo
do patriarcado e da fragilidade e subalternidade a que tem sido sujeita. Esses
são assuntos de interesse social, por continuar a ser discutidos, até serem resolvidos, mas não é sobre isso que a autora
de Emoções e Abstracções escreve e
esse facto encontra-se explicado na epígrafe ao presente texto.
A Literatura de
Autoria Feminina alerta para uma visão do mundo no feminino (mentalidade e
atitudes femininas), contrapostas a visão do mundo no masculino, no que diz
respeito à diferenças ligadas ao sentido bio-psico-social do termo. Esta oposição
é realizada através da voz que fala no texto, no tipo de linguagem utilizada e,
no ponto de vista de como os fenómenos são apropriados e narrados. Vale
recordar que, no que tange ao processo identitário, o corpo feminino pode
albergar uma alma masculina e que se manifeste socialmente como masculina, ou o
contrário, uma alma masculina ser portadora de uma mente feminina e as suas
atitudes reflectirem essa condição psicológica. Isto quer dizer que a
linguagem é sexuada e considerando esse facto, a Teoria Literária reserva, em alguns
dos seus capítulos, estudos sobre a ficção no feminino.
A propósito
desse tipo de estudos, refira-se um estudo de Magalhães (1987) que, ao analisar
a [dimensão temporal na escrita feminina contemporânea na ficção portuguesa],
concluiu que o tempo narrado por mulheres, num conjunto de obras que estudou,
centra-se na relação intra muros que essas
mulheres têm relativamente a sua existência. E essa condição, segundo a autora,
faz com que elas construam os seus textos com referências ao passado, utilizando
a memória e em direcção ao futuro, através do sonho ou do desejo; num presente
restritivo que as incita. Quanto ao tempo vivido pelo homem, Magalhães advoga que, este decorre
levando em linha de conta viagens reais e metonímicas no espaço e num presente
vivido com mais intensidade que o passado e num futuro imediato e não utópico.
Este estudo é revelador da diferença na maneira de viver, de formular ideias e
a visão de mundo, entre mulheres e homens. De um modo geral, a obra de Rinkel
traz também essas referências de uma vida interior marcada pelo passado –
através daquilo que é recordado pelo sujeito poético dos seus textos, um
presente desafiador e um futuro que se anseia estimulante.
Quanto à linguagem
utilizada no texto, é de se referir que a obra é portadora de experiências de narrar
de mulher realizada de forma simples, mas não banal e é reveladora de sensações
e representações, na sua maioria, vividas por uma alma feminina. No entanto, refira-se
que o facto de escrever sobre sensações e abstracções não é um exclusivo da
mulher, já Alberto Caeiro (um dos heterónimos de Fernando Pessoa, em O Guardador de Rebanhos demonstrou que através
do uso de linguagem abstracta e ligada o dia-a-dia era possível deixar-se as
sensações fluírem e fazer-se poesia de reconhecida qualidade; como é o caso dos
poemas que Rinkel nos apresenta.
Um exemplo sobre
o que se tem vindo a referir, acerca do uso da linguagem que habita a alma
feminina, é o caso da subtileza com
que o sujeito poético faz referência a um momento de prazer como o mencionado na pg. 31, cujo título do
poema é Mais Turbo e Acção. Nele,
encontra-se uma engenhosa descrição de um acto de masturbação, no qual uma
mulher fala sobre a masturbação de outra. Cada
leitor pode ler esse poema, de vagar e a deliciar-se da fabulosa narração. A linguagem
utilizada é de uma perspicácia típica das mulheres quando falam sobre um
assunto de alçada íntima em público.
Ao propor discutir
sobre a Escrita de Autoria Feminina, Rinkel centra a sua ficção em temas subjectivos,
ou seja, em temas que revelam o modo singular como determinado indivíduo encara
a realidade que o circunda, nomeadamente, temas autobiográficos, memorialistas,
místicos, confissões, entre outros; num conjunto de textos marcados por um eu sensitivo, que se emociona, que
indaga, que duvida, e critica o que vê e sente.
A obra foi escrita em homenagem à uma “provável”
filha que se encontra a habitar uma dimensão não terrena. Provável, porque a
dedicatória encontra-se entre aspas, ficando-se sem saber, nem a autoria da
frase, nem se se trata de alguém que de facto existiu ou é alguém fictício. Mas
na análise literária esse facto não é relevante. No entanto, permite afirmar,
com propriedade, que alguns poemas constantes do livro e que remetam ao citado
texto, têm marcas biográficas que podem ser encontradas nos poemas das pgs. 16 a 20, exemplificando:
Cedo
Partiste
Cedo partiste…/Levaste contigo o teu humor,/para
sempre./Aprendi que com a humildade, amor e ternura/conquistam-se montanhas/atravessam-se
desertos/constroem-se pontes/ultrapassam-se glaciares/vencem-se profundidades…/Agora
fazes falta/porque ensinaste como lutar pela vida/mas não ensinaste como deixar
a vida/com honra e esplendor. (EA: 16 e 17)
Ou
Minha
Filhinha I
Aquela figura magrinha e frágil/de olhos amendoados
e/cabelos castanhos encaracolados/ sorriu para mim…/”gyanana gyango”/digo baixinho. (EA:18 e 19).
Ou ainda,
O poema Conheço,
da pg. 20:
Eu conheço o teu andar/eu conheço o teu cansar/eu
conheço o teu chorar/eu conheço o teu amanhecer/ eu conheço o teu correr/
conheço o teu ser/eu até conheço/ o que tu não conheces de ti.
A obra traz também marcas memorialistas, nos poemas Ares Paradisíacos, Guerras e Varedero, das
pgs. 23, 24, e 36. Apenas um será transcrito, mas antes, deve-se realçar que os
versos dessas páginas são constituídos por diferentes sentidos que recorrem a
memória de algo vivido pelo sujeito poético:
Varedero
Abracei o mundo/ através das tuas límpidas e quentes
águas/tuas areias finas e brancas são um constante convite/ao deleite
caribenho/joquei-me em teu encantos/juntamente com Kalungano, Armando, Juvenal,
Jaime e Sangare/peguei em minhas mãos a poesia universal/através de seus
múltiplos idiomas e nacionalidades/ senti o mundo em La Habana/através de um
festival de palavras. …(EA:36).
O texto em
análise revela algumas confissões feitas pelo sujeito poético, é o caso dos
poemas Perdida, da p.26; Tu És, pg. 28; Um Desastre Aconteceu, p 43 e Amar,
pg. 27. Em Perdida, o sujeito confessa: “Perdida/Sozinha/Amedrontada/Abandonada/Sem
destino/Sem forças para lutar”. (EA: 26)
Há também uma
mística vivida por ele e que é partilhada com o leitor, através dos poemas O Mundo Colorido e Partilha, das pgs. 13 e 41. No primeiro poema, no lugar de pintar o
seu mundo com o que existe de mais luxuoso e vistoso, como seria de se esperar
em contexto comum, o sujeito poético pinta-o com cores da natureza. No segundo
poema evidencia o desapego pelas coisas materiais.
Em Emoções e Abstracções, mesmo quando se
trata de assuntos corriqueiros como a corrupção, a política ou a democracia, o
sujeito poético desenvolve-os de forma que causa espanto, como se fosse a
primeira vez que se ouve falar sobre eles. Em Literatura designa-se de estranhamento à essa técnica, que na óptica
Aristótélica consiste em abordar um assunto já conhecido, criando a percepção de se estar a falar em
algo jamais visto e admirável. Rossbacher (1977)[1]
designa essa estratégia como o que rompe com as barreiras da percepção
automática sobre as coisas. Vejam-se os poemas das pgs. 50, 51, e 52: Os Protagonistas da Ganância, Corrupta
Democracia e Sem Sistema.
Para melhor
apreender o que se designa de causar estranhamento veja-se o exemplo do poema Uma
Nova Esperança, da pg. 53 que, abordando a questão da degradação de valores
morais da uma juventude na sociedade em causa, que até poderia ser Moçambique; o
sujeito poético fá-lo apelando a virtude da esperança. Acrescente-se a esta
análise a ideia espelhada pelo poema Realidade
Urbana, da pg.46, que tratando da falta de ética ambiental, característico
de cidades como Maputo, onde só se vê “pedra sobre pedra” em detrimento de
construção ou manutenção de espaços verdes; a linguagem utilizada é desautomatizada.
Há muito mais o
que se possa afirmar sobre a poesia de Rinkel, mas é importante deixar-se um espaço para que outras leituras
se realizem. A todos desejo uma boa
leitura e os meus parabéns, Márcia
Santos!
Referências
LAISSE, Sara. “VER, SENTIR
E VESTIR A REALIDADE: o valor do adjectivo no poema O Guardador de
Rebanhos”. Texto apresentado no
Seminário Problemáticas em Estudos Portugueses. Universidade Nova de
Lisboa/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Janeiro de 2011.
MAGALHÃES, Isabel. O Tempo das Mulheres. Lisboa: Imprensa
Nacional – casa da Moeda. 1987.
ROSSBACHER, Peter, Sklovskij´s concept of ostranenie
and Aristotle´s admiration, Vol. 92, No. 5, Compartive Literature (Dec. 1977),
pp. 1038-1043, The Johns Hopkins University Press,
http://www.jstor.org/stable/2906892, Accessed: 05/03/2009 10:53.
SANTOS, Márcia. Emoções e Abstracções.
Maputo: FUNDAC. 2011.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Mensagem da PCA do FUNDAC no âmbito do lançamento do "Emoções e Abstracções"
Senhor Secretário Geral da AEMO,
Meus pares do painel,
Caros Convidados,
Caríssimos Criadores,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
É com imenso prazer e profunda
emoção que, em meu nome pessoal e no dos meus colegas do Conselho de
Administração do FUNDAC, uso da palavra para manifestar o nosso sentimento de
plena satisfação pelo cumprimento de mais uma nobre missão: a do lançamento de
mais uma obra literária.
Colocar uma obra literária à
disposição do público é um acto que se reveste, sempre, dos mesmos e renovados
sentimentos de esperança, ansiedade e expectativa que não só envolvem o autor
ou a autora da obra, mas que recaem, também, sobre aqueles que, por amor às
artes e à cultura, tudo fazem para que mais um produto cultural venha a lume.
Nesse conjunto enquadra-se o FUNDAC.
Como é do
conhecimento público, o FUNDAC foi instituído com o objectivo de, entre outras acções, subsidiar a criação e a criatividade,
nas suas mais diferentes manifestações, financiando ou co-financiando, em todo
o país, iniciativas, programas e projectos no âmbito da formação e
desenvolvimento artístico, bem como no da valorização do património cultural
nacional, tanto na sua vertente material como na imaterial.
Excelências,
Minhas
Senhoras e Meus Senhores
Ao
subsidiar as artes e a cultura, o FUNDAC fá-lo no quadro dos objectivos gerais
preconizados pelo Governo de Moçambique, cuja agenda é melhorar a vida dos
moçambicanos, do ponto de vista espiritual e material. Neste contexto, apoiar a literatura contribui para este desiderato, uma vez que ela
constitui um meio por excelência para a difusão dos bons hábitos de leitura,
fortalecendo a mente e abrindo horizontes.
Como
afirmámos anteriormente, invade-nos um grande prazer e uma forte emoção por
testemunharmos o lançamento de mais uma obra de Rinkel, obra essa que também é
nossa, do FUNDAC, pois nos coube a honra de financiadores exclusivos da mesma.
Não posso
deixar de dizer, também, que, como mulher que sou, o prazer e a emoção são
redobrados, uma vez que mais uma mulher vai trilhando o mundo da literatura, e
como tal, vai enriquecendo o ainda estreito espaço ocupado pelas mulheres no
mundo literário nacional.
Rinkel, parabéns pelo teu livro
“Emoções e Abstracções”, fruto das tuas já demonstradas capacidades para nos
fazer viajar no mundo dos sentidos e sentimentos. Parabéns pela tua obra ter merecido o
acolhimento do Conselho de Administração do FUNDAC, razão que nos leva a
congregar-nos neste evento singular.
À Rinkel
desejo, em nome dos meus colegas das artes e da cultura, muitos sucessos na
carreira que decidiu abraçar, o que significa que não deve parar por aqui, mas
que deve voltar a brindar-nos com mais obras da sua autoria, para gáudio de
quem aprecia a boa literatura e se edifica com ela.
Pela preciosa atenção que me quiseram
dispensar o meu muito obrigada.
Maputo, aos 08 de Novembro de 2011.
Maria Ângela
Penicela Nhambiu Kane,
A Presidente do
Conselho de Administração do FUNDAC
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
... e desculpas
Além dos agradecimentos...
Também tenho de fazer alguns pedidos de desculpas....
Neste período anterior à publicação do livro, prestei menos atenção a algumas pessoas e a algumas coisas da minha vida.
É facil reparar as coisas que não dei atenção!
Mas reparar as feridas abertas em algumas pessoas... isso é uma tarefa mais árdua.
Julgo que para a minha filhinha de 4 anos não faz diferença ter ido ou não ao lançamento, mas quase toda a gente me criticou por não a ter levado. Desculpa minha flor, meu docinho de Mell. Tu realmente tens sido uma das minhas maiores inspirações nestes 5 anos. Desde a tua gravidez que me sinto outra pessoa: melhor e mais mulher!
Mãezinha, 78 anos de vida. Gostaria de ter dar mais atenção, estar contigo mais vezes! Mas infelizmente há situações na vida muito difíceis de ultrapassar: trabalho e vivo noutra cidade! Custa-me não te puder ver todos dias! Mas estás no meu coração, toda a hora, todo o momento!
António Sambo, o primeiro crítico do meu livro! Quando ainda eram versos soltos, fez a primeira revisão e deu as primeiras e principais sugestões para melhorar os meus textos. Com ele partilhei as dúvidas, indecisões e inquietações que me atribulavam, antes do patrocínio e da publicação tornarem-se uma realidade. Partilhamos muitos cafés em volta da minha escrita... e da escrita dele também. Sambo, sou fã das tuas crónicas! Conta comigo para quando decidires publicá-las em forma de livro. Conta comigo quando precisares de alguém para fazer a sua revisão! E continua contando comigo para os cafés matinais!
Ainda devo pedir desculpas a quem não convidei pessoalmente pró lançamento. Distribui 100 convites impressos, enviei perto de uma centena de sms, enviei alguns quantos emails, publiquei um comunicado no jornal de maior circulação do país (Notícias), mas mesmo assim parece que não consegui abranger a todos quanto deveria. No próximo livro (se houver) vou ter que encontrar uma metodologia mais abrangente. Quem sabe, finalmente adira ao Facebook! Ainda não houve quem me convecesse que há vantagens em aderir a esta rede social... se calhar sou meio antiquada, ou quem sabe, cautelosa demais!
Também tenho de fazer alguns pedidos de desculpas....
Neste período anterior à publicação do livro, prestei menos atenção a algumas pessoas e a algumas coisas da minha vida.
É facil reparar as coisas que não dei atenção!
Mas reparar as feridas abertas em algumas pessoas... isso é uma tarefa mais árdua.
Julgo que para a minha filhinha de 4 anos não faz diferença ter ido ou não ao lançamento, mas quase toda a gente me criticou por não a ter levado. Desculpa minha flor, meu docinho de Mell. Tu realmente tens sido uma das minhas maiores inspirações nestes 5 anos. Desde a tua gravidez que me sinto outra pessoa: melhor e mais mulher!
Mãezinha, 78 anos de vida. Gostaria de ter dar mais atenção, estar contigo mais vezes! Mas infelizmente há situações na vida muito difíceis de ultrapassar: trabalho e vivo noutra cidade! Custa-me não te puder ver todos dias! Mas estás no meu coração, toda a hora, todo o momento!
António Sambo, o primeiro crítico do meu livro! Quando ainda eram versos soltos, fez a primeira revisão e deu as primeiras e principais sugestões para melhorar os meus textos. Com ele partilhei as dúvidas, indecisões e inquietações que me atribulavam, antes do patrocínio e da publicação tornarem-se uma realidade. Partilhamos muitos cafés em volta da minha escrita... e da escrita dele também. Sambo, sou fã das tuas crónicas! Conta comigo para quando decidires publicá-las em forma de livro. Conta comigo quando precisares de alguém para fazer a sua revisão! E continua contando comigo para os cafés matinais!
Ainda devo pedir desculpas a quem não convidei pessoalmente pró lançamento. Distribui 100 convites impressos, enviei perto de uma centena de sms, enviei alguns quantos emails, publiquei um comunicado no jornal de maior circulação do país (Notícias), mas mesmo assim parece que não consegui abranger a todos quanto deveria. No próximo livro (se houver) vou ter que encontrar uma metodologia mais abrangente. Quem sabe, finalmente adira ao Facebook! Ainda não houve quem me convecesse que há vantagens em aderir a esta rede social... se calhar sou meio antiquada, ou quem sabe, cautelosa demais!
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Agradecimentos...
Mensagem lida no âmbito do lançamento do livro "Emoções e Abstracções"
"Boa tarde ilustres convidados, confrades, familiares, colegas,
amigos….
Sinto-me verdadeiramente honrada pela vossa presença.
Dra. Ângela Kane, Dra. Sara Jona e Marcelo Panguana, muito
obrigada pelas vossas palavras.
Tikan e Projecto Magotcha, sou vossa fã. As vossas duas
interpretações, que ouvi pela primeira
vez neste momento, me emocionaram! Continuem o bom trabalho!
“Emoções e Abstracções”
foi escrito de 2007 a 2011. Nesse período foram muitas as emoções que vivi,
desde as mais alegres, como o nascimento da minha filha, até às mais tristes,
como o desaparecimento físico da minha saudosa tia Teresa, a quem dediquei um
dos poemas.
Foi um período em que tive oportunidade e honra de ir a Cuba
representar a poesia feminina moçambicana no XII Festival Internacional de
Poesia de La Habana, dedicado à África e Caraíbas, com os confrades Marcelino
dos Santos (Kalungano), Armando Artur, Juvenal Bucuane, Jaime Santos e Sangare
Okapi.
Por ironia do destino, temos aqui presente o Lopito
Feijó, escritor angolano, que tive o prazer de conhecê-lo em Cuba, em 2007.
Amanhã vai lançar um dos seus livros na AEMO. Aproveito para convidar a todos
para irem assistir! Lopito, a sua honra-me bastante!
Nesses cinco anos, motivos para me emocionar e me
abstrair não faltaram. E o resultado é o que agora está disponível em vossas
mãos e há muitas pessoas a quem tenho de agradecer por tornarem este momento
possível. Começo pelo FUNDAC, instituição que patrocinou a publicação do livro,
em especial a Dra Ângela Kane, PCA do FUNDAC, e ao Sr. Administrador Pedro
Chissano, que me orientou durante toda a jornada anterior a este dia.
Dra. Sara Jona, obrigada pelas suas ricas palavras! Apesar
de tão pouco tempo que teve para se apropriar, ler e reler o livro, a apresentação
foi brilhante!
Agradeço à toda equipa do CIEDIMA, que maquetizaram e
produziram o livro em tempo recorde, em especial a Lurdes que pôs à minha
disposição todo o seu potencial criativo.
Agradeço também à direcção da Mediateca do BCI pelo
espaço que disponibilizaram para este evento, embora tivessem a agenda
completamente preenchida. Já está a tornar-se uma tradição lançar os meus
livros aqui. Em Dezembro de 2006 lancei aqui, neste mesmo Espaço, o meu segundo
livro.
Há pessoas que marcaram a minha vida académica há mais de
13 anos, mas que não posso esquecer de forma alguma: Prof. Dr. Lourenço do
Rosário, Prof. Dr. Nataniel Ngomane e Dr. Almiro Lobo. Em parte, devo a culpa
do meu amor pela literatura a estas três pessoas, a quem hoje em dia posso
incluir na minha lista de amigos. Aprendi e continuo aprendendo muito convosco.
Uma das coisas mais importantes que aprendi, através do Nataniel, é que um bom
livro deve provocar orgasmos literários. Tomara que este livro vos emocione até
esse ponto!
Não posso esquecer também a AEMO e os confrades que me
têm incentivado a continuar nesta jornada, em especial Marcelo Panguana, Lília
Momplé, Juvenal Bucuane e Marcelo Panguana. Marcelo, muito obrigada pelo seu prefácio!
Sérgio Costa, Paparazzi, obrigada por responderes tão
prontamente ao pedido de me fotografares.
Tininha Ramos, obrigada por emprestares a tua voz magnífica para seres a Mestre desta cerimónia, embora estejas longe dos microfones há cerca de 8 anos.
SemCustos Lda, a vossa prontidão imediata me comoveu. Sucessos no vosso empreendimento!
SemCustos Lda, a vossa prontidão imediata me comoveu. Sucessos no vosso empreendimento!
Agradeço também ao apoio dos meus colegas da AT (em
especial do Gabinete do PAT, do Gabinete de Comunicação e Imagem da AT e do
IFPFT). Foi no ambiente do IFPFT onde recebi as primeiras críticas dos colegas António
Sambo e Fernando Russiua. O Haydn Joyce foi o principal impulsionador para eu
abrir o meu blogspot e tem sido o
maior incentivador para eu mantê-lo.
Por fim, agradeço à minha família, ao meu parceiro e as minhas
3 amigas do coração (Ema, Guida e Sandra).
Espero sinceramente que a leitura deste livro vos emocione,
ou que pelo menos vos proporcione alguns breve momentos de abstracção.
Muito obrigada a todos! Do fundo do meu coração!"
Rinkel
Maputo, 08 de Novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Poema de abertura
O livro abre com o seguinte poema:
O MUNDO COLORIDO
Pinto meus
quadros
Com as
cores da vida
Verde
esperança
Amarelo de
angústia, desespero
Pinto minha
vida
Com as
cores do amor
Sangue vermelho
Rosa
romântica
Laranja
doce
Pinto
minhas emoções
Com as
cores da natureza
Céu azul
marinho
Puras
nuvens brancas
África
negra
Nervos à flor da pele
Uiiii....
Acho que estou a precisar de aprender alguma técnica de relaxamento RÁPIDO....
É já amanhã o lançamento do livro!
Acho que estou a precisar de aprender alguma técnica de relaxamento RÁPIDO....
É já amanhã o lançamento do livro!
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